Padrão Willow

O prato Azul Pombinho conta uma antiga história de amor, hoje, conhecemos um pouco desse conto através das narrativas de Cora Coralina. A lenda oriental nos apresenta a história de uma princesa que se apaixonou por um plebeu, assim, como em todos amores proibidos, o problema era seu pai, um velho mandarim que havia organizado seu casamento com um príncipe rico e poderoso. A princesa não aceitava essa imposição e o casal fugiu do palácio, então por vingança, seu pai passou a perseguir os dois jovens apaixonados. Quem contava essa história para Cora, era sua bisavó. As cenas impressas no fundo do prato, era um conto cheio de tramas e muito romance, algo que encantou Coralina que ouvia com atenção, porem desse conto, nunca ouviu o final, pois sua bisavó não sabia ou se recusava a falar para menina o final trágico do casal e a transformação de ambos em aves.

Esse conto foi impresso através dos trabalhos de Thomas Minton durante a década 1790 na Inglaterra. A decoração ficou conhecida como ‘Willow’ e era baseada em cerâmicas chinesas. Logo se popularizou em todo país, sendo produzida por várias indústrias ao longo de mais de 100 anos, a exemplo das cerâmicas Adams, Davenport, Clews, Leeds, Royal Worcester, Swansea, Wedgwood, entre outras. O modelo se tornou tão famoso que acabou se constituindo como um padrão. Apesar de haver essa padronização, existem tipos diferentes de ‘Willow’ devido a quantidade de fabricantes e sua cronologia de produção. Na arqueologia, a louça é um dos indicadores temporais de um sítio arqueológico, algo pensado por Stanley South na década de 1970. Entender o processo de fabricação desse padrão, sua chegada no Brasil e posteriormente sua distribuição em cenário nacional, culminando nas narrativas de Cora Coralina, é uma tarefa árdua para arqueologia, possui suas tramas e romances. Relacionar contos, fatos e vestígios, é o que faz das pesquisas algo tão encantador e importante nas narrativas históricas.